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A REVOLUÇÃO DAS MÍDIAS SOCIAIS NUM ENCONTRO EM SÃO PAULO

Mais de 50 executivos e profissionais de médias e grandes organizações estiveram reunidos no dia 24, no Novotel Jaraguá, em São Paulo/SP, durante o 1º. Seminário Nacional de Redes Sociais e CRM Social. Numa iniciativa do portal Social Contact Center, o evento durou o  dia todo com palestras e debates que, praticamente, concluíram o seguinte: o tão esperado futuro a ser trazido pela chamada web 2.0  já chegou e nenhuma organização, de qualquer porte, pode mais ignorar as mídias sociais em suas atividades e negócios. Com mais 60 milhões de internautas atuando em ambiente social na internet, o panorama do relacionamento, em todos os níveis, já foi transformado.

 



Segundo Carlos Cavalcanti, diretor do Grupo CDN – Interativa, o primeiro palestrante do dia, as mídias sociais, se bem exploradas, permitem à marca criar “embaixadores” internos e externos. Citando casos reais e bem-sucedidos de utilização dessas redes para os negócios, - como o exemplo do “Fan Site” da Starbuck norte-americana, que já tem mais de 3 milhões de ”fãs” e o caso Fiat Mio, o primeiro carro customizado via redes sociais no país -, Cavalcanti ressaltou a importância de se criar uma política voltada para atuação nas redes sociais. “É preciso compreender o conceito de comunidade. Agir com bom senso no aproveitamento do potencial que esse ambiente oferece”, disse ele, acrescentando: “Mas é preciso ser relevante, o que demanda muita pesquisa, muito trabalho e empenho”, concluiu.

 


O motor da organização – Já Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil,  surpreendeu a todos ao afirmar que o que move uma gigante como a IBM, hoje, praticamente são as redes sociais. “A web 2.0 potencializa o capital intelectual disperso pela organização”, afirmou. “A computação social nos permite quebrar muitas barreiras, principalmente as geográficas”, explicou, ao contar que tudo isso tem ajudado à operação no Brasil já ser a 7ª.  da IBM em todo o mundo. 

 

Segundo Taurion, qualquer funcionário da IBM pode abrir um blog dentro da intranet. “Sempre respeitando os padrões de ética da corporação”. E detalhou o caso interno do “ThinkPlace”, espaço no qual qualquer colaborador pode apresentar idéias e estas são largamente comentadas na rede. “Ou seja, acrescentou, estamos explorando a rede social para a inovação”.

 

Outro case da IBM comentado pelo executivo foi um “brain storm” virtual que envolveu mais de 150 mil funcionários da organização. E destacou um aspecto estratégico das mídias sociais no âmbito empresarial: “Sempre haverá alguém que vai falar mal da empresa, seja ela qual for. Então, é melhor ter um canal para poder verificar e agir sobre isso rapidamente. No caso da IBM, além disso, já são quase duas mil comunidades virtuais no Brasil, discutindo tudo o que é possível se pensar”.

 

Por sua vez, Fábio Cipriani, gerente de Consultoria da Deloitte e autor de dois livros sobre mídias sociais, ao lembrar que só o Twitter cresceu mais de 1.000%  no ano passado,  declarou: “O que praticamente configura a reputação de uma empresa hoje são as redes sociais”. E garantiu que, ao se conectar os colaboradores numa plataforma de web dentro da empresa, há enormes ganhos de inovação e produtividade.

 

Para Cipriani, vai-se tornando quase impossível de as organizações barrarem o acesso dos funcionários às mídias sociais. E explicou porque: “De acordo com o IBGE, existem hoje mais de 37 milhões de jovens entre 14 e 25 anos no país. Essa é a nova geração que vai entrando nas empresas é a que deseja utilizar as redes para se comunicar. Se a empresa proíbe, esses jovens saem em busca de outra oportunidade. Ou seja, trata-se de um grande risco da perda de talentos”. E concluiu mostrando como é fundamental hoje à empresa se conectar e colaborar com o público-alvo. Da forma mais efetiva e eficiente possível. “Essas iniciativas gerarão um crescimento exponencial do uso das mídias sociais, sendo que cerca de 80% dessa expansão vai-se dar através das aplicações de CRM Social”.

 

A importância de saber ”ouvir” – Já André Zimmerman, diretor da Media Contacts, falando sobre estratégias de marketing no ambiente social da web, mesmo concordando com a importância dos jovens na rede, lembrou que não são só eles. “Cerca de 40% dos usuários da internet são pessoas com mais de 35 anos”, lembrou. E destacou as virtudes do comunicador para a atuação nas redes sociais. “O melhor comunicador é o que, antes de mais nada, sabe ouvir. Ou seja, é preciso primeiro monitorar – medir o ‘buzz’ (burburinho negativo a respeito das marcas, produtos e serviços). Depois, começar a ‘conversar’ nas redes, como um relações pública na web 2.0. Em terceiro lugar, agir, oferecendo serviços e conteúdos e ações promocionais. Por fim, medir os resultados e corrigir as rotas”.

 

Citando um conhecido case, o dos cadeados para bicicletas da marca Kryptonite – quando vídeos de usuários no Youtube mostravam a facilidade de se quebrar a segurança dos mesmos com uma simples caneta esferográfica – mostrou como as mídias sociais podem afetar uma organização. Pois a empresa teve um prejuízo de U$10 milhões com o recall dos cadeados, depois que até o New York Times repercutiu a ação dos internautas. E concluiu mostrando exemplos como o do Wal-Mart, que entrou nas mídias sociais para um relacionamento com os usuários, e acaba até vendendo produtos via redes.

 

A era da colaboração e da interatividade – “que provoca uma verdadeira revolução no relacionamento entre empresas e clientes”- foi destacada por Vivian Tchistow, gerente de Treinamento da Plusoft. Para ela, o fato de as redes sociais já responderem por 62% de todo o tráfego na web, conduz “à necessidade iminente de uma nova postura frente às práticas de relacionamento”. Propondo a mudança no conceito de contact center para “colaboration center”, com métricas, indicadores e proposta de valor totalmente revistos, Vivian ressaltou a importância do chamado CRM Social, um conjunto de ferramentas oferecido pela empresa com o nome de Plusoft iCustomer, nessa interatividade em tempo real.

 

Já Marcelo Pugliese, também abordando aspectos atinentes às ferramentas de softwares que podem auxiliar as empresas no uso das mídias sociais, mostrou detalhes do “DT Scup”. Segundo ele, trata-se de uma solução criada pela DirectTalk que permite o relacionamento, monitoramento e a gestão dos principais canais sociais existentes e em tempo real. “Esse tipo de solução – disse ele – vai mudar as centrais de atendimento já que ajuda a monitorar o que os consumidores falam sobre um marca, produto ou serviço. Mas uma plataforma que possibilita também que a empresa responda aos usuários e mantenha um relacionamento estreito utilizando os mesmos canais sociais dos consumidores”.

 

Para Pugliese, “os canais de atendimento tais como telefone e e-mail estão saturados. Agora é o momento de se utilizar desses novos canais de relacionamento que são as redes sociais”. Segundo ele, a partir deste ano surgirão os call centers de terceira geração. Ou seja, centrais de relacionamento mais colaborativas e interativas. “E esses contact centers vão-se transformar em alimentadores da inteligência competitiva da empresa, carreando para o marketing, vendas e outros setores  informações extraídas da interação nas mídias sociais”.

 

Gerenciando o inimigo dentro de casa – A melhor maneira de você encontrar o seu cliente é ser encontrado por ele. Essa foi uma das frases que marcaram a palestra de encerramento do evento, proferidas por Romeo Busarello, diretor de Internet da Tecnisa – organização que se vem destacando no cenário das redes sociais, por ser uma das primeiras a possuir um gerente de Mídias Sociais, com equipe exclusiva atuando na internet. Tanto que se trata da primeira construtora do país a vender apartamentos através do Twitter.

 

Para ser encontrada pelo cliente, a empresa de Busarello criou inicialmente um blog corporativo. “As redes sociais - afirmou – permitem que você gerencie o ‘inimigo’ (pessoas que ameaçam a boa reputação da empresa) dentro de casa. É muito melhor que lidar com ele nas redes abertas”. Para ele, é preciso muita coragem e determinação da organização para criar um blog corporativo e atuar nas mídias sociais. “Primeiro porque dá muito trabalho. Envolve muita pesquisa, muito empenho para se analisar todas as possibilidades na internet”.

 

Essa é a razão pela qual, de acordo com o entendimento do executivo, a internet “pegou” muito mais em nível dos usuários do que das empresas no Brasil. “Há hoje não mais que  umas 10 empresas que ganham dinheiro com a web. Exatamente porque ninguém quer ter tanto trabalho assim para se envolver com tantas possibilidades. É preciso, antes de mais nada, lideranças que entendam e apóiem essas iniciativas. Mas as mídias sociais permitem que se utilize ao máximo a inteligência competitiva. É possível, por exemplo, em 15 minutos impactar 15 mil pessoas. Porque não estamos mais vivendo uma época de mudança, mas sim vivenciando uma mudança de época”, concluiu.

 

Patrocinado pela Digitro, Call Contact Center, ABL Sistemas e Plusoft, o 1º. Seminário Nacional de Redes Sociais e CRM Social contou ainda com a participação, na mediação dos debates, de Kendi Sakamoto, diretor da KS Consulting, Miriam Garrido, diretora da Garrido Marketing, Miguel Cui, consultor e ex-diretor de Atendimento da Claro e Ana Maria Natali, da B2Brasil.


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